quinta-feira, 17 de junho de 2010

Esquizofrenia - como reconhecer ainda no começo?

Como reconhecer a esquizofrenia ainda no começo?

O reconhecimento precoce da esquizofrenia é difícil porque nenhuma das alterações são comuns, percebe-se pela mudança de comportamentos socialmente desviantes mas psicologicamente normais . Diagnosticar precocemente uma insuficiência renal, por exemplo, pode salvar uma vida, já no caso da esquizofrenia a única vantagem do diagnóstico precoce é poder começar logo um tratamento, o que por si não implica em recuperação. O diagnóstico precoce é melhor do que o diagnóstico tardio, pois tardiamente muito sofrimento já foi imposto ao paciente e à sua família, coisa que talvez o tratamento precoce evite. O diagnóstico é tarefa exclusiva do psiquiatra, mas se os pais não desconfiam de que uma consulta com este especialista é necessária nada poderá ser feito até que a situação piore e a busca do profissional seja irremediável. Qualquer pessoa está sujeita a vir a ter esquizofrenia; a maioria dos casos percebe-se um histórico de parentes com a doença na família. Abaixo estão enumeradas algumas dicas: como dito acima, nenhuma delas são características mas servem de parâmetro para observação.
• Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa a noite, ou mais raramente dormir demais
• Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros
• Perda das relações sociais que mantinha
• Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade
• Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
• Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
• Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
• Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
• Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos
• Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido
• Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo
• Uso estranho das palavras e da construção das frases
• Afirmações irracionais
• Comportamento estranho de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo
• Mudanças na personalidade
• Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados
• Abuso de álcool ou drogas
• Posturas estranhas
• Recusa em tocar outras pessoas
Nenhum desses sinais por si comprovam doença mental, mas podem indicá-la.

A Família do esquizofrênico

Da mesma forma que o paciente esquizofrênico sofre duas vezes, pela doença e pelo preconceito, a família também sofre duas vezes, com a doença do filho e com a dificuldade de entendimento. O nível de recuperação que se tem com o tratamento da esquizofrenia é muito baixo; os irmãos saudáveis desses pacientes devem ser amparados para não terem suas vidas impedidas de se desenvolver por causa da esquizofrenia de um irmão.

Os problemas que geralmente ocorrem na família dos esquizofrênicos são os seguintes:
• Pesar... "Sentimos como se tivéssemos perdido nosso filho"
• Ansiedade... "Temos medo de deixá-lo só ou de ferir seus sentimentos"
• Medo... "Ele poderá fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas?"
• Vergonha e culpa... "Somos culpados disso? O que os outros pensarão?"
• Sentimento de isolamento... "Ninguém nos compreende"
• Amargura... "Por que isso aconteceu conosco?"
• Negação da doença... "Isso não pode acontecer na nossa família"
• Negação da gravidade... "Isso daqui a pouco passa"
• Problemas conjugais... "Minha relação com meu marido tornou-se fria, sinto-me morta por dentro"
• Preocupação em mudar-se... "Talvez se nos mudarmos para outro lugar as coisas melhorem"
• Cansaço... "Envelheci duas vezes nos últimos anos"
• Esgotamento... "Sinto-me exausto, incapaz de fazer mais nada"
• Preocupação com o futuro... "O que acontecerá quando não estivermos presentes, o que será dele?" "
• Isolamento social... "As pessoas até nos procuram, mas não temos como fazer os programas que nos propõem"
• Constante busca de explicações... "Será que isso aconteceu por algo que fizemos para ele?"
• Ambivalência... "Nós o amamos, mas para ficar assim preferíamos que se fosse..."
Conselho aos pais
• Aprendam a reconhecer os sintomas iniciais, que possam indicar uma possível recaída antes do quadro completo se instalar.
• Procurar atendimento médico logo, sem adiamentos.
• Procurar aprender sobre a doença para melhor entender o filho em suas necessidades.
• Procure um tratamento psicanalítico.
• Tentar o máximo possível estabelecer uma relação amistosa, com um objetivo e finalidade estabelecidos.
• Estimular parentes e amigos de seu filho a estabelecerem uma relação saudável.
• Comunicar-se de forma clara e objetiva, sem usar meias-palavras ou deixar mensagens subentendidas.
• Principalmente: ter um ambiente emocionalmente estável em casa. Expressões hostis mesmo que não direcionadas para a pessoa doente afetam e prejudicam o esquizofrênico. Não exercer cobranças sobre ele. Expressar as emoções tanto positivas (alegria) quanto as negativas (raiva) sempre com moderação.

Dr. Ricardo M. Magalhães - Psicanalista Transpessoal
Fone: ( 19 ) 3876-2488

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